Além da Imaginação

“Não tem nenhum terror no (buh), somente na expectativa dele.”

4

de
outubro

OB 1326

Havia algo estranho. Todos dentro do ônibus podiam sentir isso. Eles haviam saído de Belém no final da noite, com destino a Marabá interior do estado paraense. A estrada era perigosa, todos sabiam disso. Havia perigo de acidentes, assaltos… mas não era tudo. Havia algo de sobrenatural e temeroso no ar. Como se algo estivesse para acontecer…

Uma criança começou a chorar. A mãe colocou a cabeça da menina no peito e afagou-lhe os cabelos, tentando confortá-la.

Lá na frente, perto do motorista, uma velhinha rezava, segurando um terço.

O motorista suava e, de quando em quando, levava a mão à cabeça, como se houvesse algo ali que o incomodasse.

Súbito apareceu algo no meio da estrada. Parecia um carro policial. Dois homens sinalizavam para que o ônibus parasse.

O motorista se lembrou que era comum os assaltantes se disfarçarem de policiais… isso quando não eram os próprios policiais que praticavam os assaltos.

- Não pare para eles! - gritou um homem, entre lágrimas. São ladrões!

- Vão matar todos nós. - choramingou uma mulher.

Apesar dos protestos, o motorista parou. Os dois homens entraram, armas na mão.

- Todos parados! - berrou um deles.

Havia algo de estranho nos dois… como se fizessem parte de outra realidade. Seus corpos pareciam intangíveis.

- São fantasmas, mamãe. São fantasmas! - gemeu a garotinha. Ele vieram para nos levar…

- Os homens devem se levantar e colocar as mãos para cima.- ordenou o policial.

Os homens, resignados, levantaram-se e deixaram-se revistar. Depois foi pedido que abrissem as sacolas. Os dois olharam tudo, depois saíram.

- Boa viagem! - disse um deles ao motorista, mas ele não respondeu.

Na verdade, o motorista nem mesmo pareceu prestar atenção neles. Ele simplesmente fechou a porta, sinalizou e saiu.

Os dois ficaram lá, parados no meio do mato, observando o veículo se afastar. Um deles encostou no carro e acendeu um cigarro.

- Sabe, eu não entendo porque temos de ficar aqui, no meio desta estrada esquecida por Deus revistando ônibus…

- Você não soube… do ônibus que foi assaltado?

- Não, eu estava de férias…

- Era um ônibus como este… - e apontou com o queixo o veículo que já sumia no horizonte. Eles pararam no meio do caminho para pegar um passageiro. Era um assaltante. Ele tentou parar o carro, mas o motorista se negou. Foi morto com um tiro na cabeça. O ônibus bateu, então, em um caminhão. Todo mundo morreu.

- Sabe, agora que você falou, estou me lembrando de uma coisa estranha… o cabelo daquele motorista parecia manchado de sangue…

- Você… você anotou a placa? - gaguejou o policial.

- Claro. Está aqui. É OB 1326.

O outro ficou lívido.

- Era… era o ônibus do acidente!

Arquivado em: Contos de Terror I

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